Servílio de Oliveira, Aurélio Miguel e Fofão eternizam mãos pro Hall da Fama durante Congresso Olímpico  | Congresso Olímpico Brasileiro

Servílio de Oliveira, Aurélio Miguel e Fofão eternizam mãos pro Hall da Fama durante Congresso Olímpico 

Primeiro medalhista do boxe, campeão olímpico do judô em Seul 1988 e campeã olímpica do vôlei em Pequim 2008 participaram de cerimônia neste sábado, em Salvador

19/03/2022
Servílio de Oliveira, Aurélio Miguel e Fofão eternizam mãos pro Hall da Fama durante Congresso Olímpico 

Mais três lendas eternizaram suas mãos para o Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil. Servílio de Oliveira, bronze no México em 1968, primeiro medalhista do boxe; Aurélio Miguel, ouro em Seul 1988 e bronze em Atlanta 1996 no judô; e Hélia Rogério de Souza Pinto, a Fofão, campeã olímpica em Pequim 2008 e bronze em Atlanta 1996 e Sydney 2000 fizeram os moldes de suas mãos neste sábado, 19 de março, em cerimônia durante o Congresso Olímpico Brasileiro. A abertura foi feita pelo presidente do COB, Paulo Wanderley Teixeira. 

“Se hoje o Brasil chega nos Jogos Olímpicos com a condição de disputar várias medalhas olímpicas, conquistar 21 pódios na última edição, em Tóquio, foi porque outros grandes atletas desbravaram os caminhos. Homenagear, eternizar materialmente a história dele com a marca das mãos é de suma importância. O resgate e valorização da memória olímpica do Brasil é uma das missões do COB”, disse o presidente do COB, lembrando uma coincidência. “Servílio foi medalhista no México, em 1968; Aurélio, campeão olímpico, em Seul 1988, e Fofão, nossa capitã em 2008. Parece que o número 8 é um número bom pro Brasil nos Jogos Olímpicos”.  

O mais antigo medalhista foi o primeiro a ser convidado a deixar sua marca. Servílio de Oliveira, de 73 anos, começou a praticar boxe justamente quando a modalidade esportiva vivia seu auge no Brasil, após a conquista do título mundial de Éder Jofre. Aos 19 anos, o atleta disputou os Jogos Pan-americanos Winnipeg 1967. Na mesma temporada, foi campeão dos Jogos Latino-americanos, no Chile, assegurando sua vaga para os Jogos Olímpicos do ano seguinte. Na edição da Cidade do México, Servílio conquistou a primeira medalha do boxe brasileiro na história do evento. No Boxe profissional, ele fez 19 lutas e venceu todas, sendo um dos poucos lutadores que se aposentaram invictos. 

“Estou felicíssimo em receber essa homenagem. Hoje eu tenho a certeza de que daqui a 500 anos vão saber quem foi Servílio de Oliveira. Tenho que agradecer ao campeão olímpico e diretor-geral do COB, Rogério Sampaio, e ao presidente Paulo Wanderley, gestores competentes que estão à frente do Comitê por essa valorização da memória olímpica do Brasil. Por fim, dedico essa homenagem à minha mulher, Maria Chalot, porque em abril completaremos 50 anos de casados. Uma companheira que esteve ao meu lado em tantos momentos difíceis e nos bons também”, disse Servílio.

O segundo a subir no palco “Breaking” foi Aurélio Miguel. O atleta começou a praticar judô aos quatro anos por conta de problemas de saúde. Em 1983, tornou-se o primeiro brasileiro a ser campeão mundial júnior e, em Seul 1988, trouxe a então inédita medalha de ouro olímpica para o judô nacional. Em Barcelona 1992, foi o porta-bandeira da delegação brasileira na Cerimônia de Abertura dos Jogos e em Atlanta 1996 voltou ao pódio olímpico, conquistando o bronze.

“É importante manter a lembrança e a memória do esporte olímpico do Brasil. Quando disputei os Jogos Olímpicos de Seul, eu fui o sétimo ouro do Brasil. A partir de 1998, conseguimos as leis de incentivo, que fez com que conseguíssemos nos transformar numa grande potência. Só em Tóquio 2020, tivemos, por exemplo, medalhas de ouro no boxe, na vela, na maratona aquática, no surfe, na canoagem e na ginástica artística. Agradeço ao presidente do COB, Paulo Wanderley Teixeira, ao da Confederação Brasileira de Judô, Silvio Acácio Borges, e ao Bernard Rajzman, que quando era secretário nacional do esporte trouxe a nossa geração de volta às competições de judô. Foi a intermediação dele que culminou com a medalha do Rogério Sampaio em 1992”, disse Aurélio, citando o representante brasileiro no Comitê Olímpico Internacional, que também participou da cerimônia.

Fofão serviu a seleção brasileira por 17 anos, em 340 jogos. A levantadora disputou cinco edições dos Jogos Olímpicos, conquistando o bronze em Atlanta 1996 e Sydney 2000. Mas foi a despedida olímpica que realmente marcou sua carreira, quando, como capitã, conquistou a medalha de ouro inédita no vôlei feminino em Pequim 2008. Sua trajetória como jogadora se encerrou em 2015, com o título da Superliga Feminina e a disputa do Mundial de Clubes, em Zurique (Suíça).

“Estou muito feliz e me sinto engrandecida pela homenagem. É uma moção muito grande ver grandes amigos que tivemos oportunidade de nos aproximar aqui, tanto na plateia quanto ao meu lado no palco. Esse é um daqueles momentos em que a gente agradece ao esporte tudo que ele nos proporcionou. Sou muito grata a todos que contribuíram na minha carreira”, disse Fofão.

Criado em 2018 com o objetivo de exaltar, difundir e eternizar aqueles que fazem a história do Movimento Olímpico do país, o Hall da Fama do COB já possui 20 homenageados, entre atletas e treinadores de modalidades olímpicas. Todos os integrantes terão seus moldes expostos em um espaço de preservação da memória olímpica montado pelo COB. Todos eles terão ainda um espaço na versão digital, lançado em junho de 2021, quando o COB completou 107 anos. Com perfis detalhados e grande acervo de fotos e vídeos em parceria com COI, Confederações e imprensa, a área pode ser acessada por meio deste link. As páginas dos novos integrantes no Hall da Fama Digital serão adicionadas conforme as homenagens forem sendo feitas.